Falar da história do América Futebol
Clube é falar da vida do Sr. Durval Feitosa, um dos fundadores
do "tricolor da ribeirinha" e também campeão
em 1966. O Sr. Durval nasceu no dia vinte e quatro de agostode 1914.
Passou sua infância, sua juventude na sua querida Propriá,
sua cidade natal. Passou a enfrentar o trabalho logo cedo sendo balconista
e depois despachante do Estado. Durval contou, em entrevista ao Jornal
da Cidade, que "cormercialmente Propriá era uma das cidades
mais desenvolvidas do Estado, parou por um determinado tempo, volta
agora aos seu ritmo normal". O exemplo de seus pais passou para
seus quatro filhos: Luiz Carlos Feitosa, Joaquim Prado Feitosa, João
Prado Feitosa e José Prado Feitosa.
Iniciou no esporte no antigo Propriá Esporte Clube. Não
gostava de jogar mas apreciava bastante o futebol. Não perdia
uma partida do Propriá qua antes era chamado de Sergipe Futebol
Clube. Torcedor apaixonado deste clube, logo chega a ocupar um cargo
na sua diretoria, inciando assim sua vida de dirigente de time. "Ocupava
o cargo de secretário, mas depois houve uma cisão e daí
resultou em fundarmos o América". Durval passou três
anos trabalhando para o time do Sergipe de Propriá. Quando da
filiação do time do Sergipe de Propriá na Federação
Sergipana de Desportos, foi necessária a troca de nome pelo fato
da existência do Clube Sportivo Sergipe de Aracaju. "A mudança
de nome provocou uma rachadura da diretoria do time. Eu não aceitava
o nome de Propriá futebol clube e apresentei o nome de Serigy
Futebol Clube que não foi aceito. Parti então para a fundação
do América Futebol Clube, abandonando a idéia do nome
Serigy que não tinha vingado".
No dia 08 de agosto de 1942, tendo como um dos fundadores o Sr. Durval
Feitosa, é fundado o América Futebol Clube. Além
de Durval foram fundadores os Srs. Pedro Cardoso, Gerdiel Graça,
José Rodrigues, Miguel Apolônio, José Graça
Leite, Eugênio Amaral, Normando Lima e José Coutinho. A
primeira providência foi a confecção do estatuto
do clube que foi aprovado em sessão de Assembléia Geral
extraordinária realizada em 07 de janeiro de 1943 e publicado
no diário oficial do estadoem partes, durante todo o mês
de março do mesmo ano.
Nos primeiros momentos do América , o espírito empreendedor
de Durval era o ar que fazia o clube respirar. "Logo chegamos a
construir um campo de futebol, contando como o poio de torcedores. Foi
um trabalho de mutirão. Trabalhávamos aos domingos e feriados.
Arrendamos um terreno, fizemos o seu nivelamento e iniciamos a construção
de um muro. Pagávamos uma cachacinha para a turma, tinha a charanga
e a obra andava". O estádio foi construído e até
hoje o dono do terreno parece que vestiu a camisa do clube e deixou
o tempo passar.
"Fomos formando o time com garotos. O Pedro Cardoso, que já
foi jogador de futebol no tempo antigo, sabia bem ensinar. Era o professor
da nossa escolinha e foi passando o que sabia para a garotada de Propriá".
Na Federação, Durval teve atuação marcante
comprando muitas "brigas" para defender o seu tricolor. Durval
afirmou que "a gente não tinha brigas, tinhamos discussões,
depois todos éramos amigos e voltavámos para casa na maior
tranqüilidade". Na Federação participava da
ala conservadora. Quando houve um rompimento dos grandes clubes com
a Federação, tomei o lado da lei. Foi o América
e mais três outros times. Queriam fundar uma outra federação.
Não foi possível e tudo voltou ao que era antes".
Enfrentou muita poeira, muitas paradas por problemas mecânicose
muitos buracos. "Iniciamos com o time montado num caminhão.
Ia na frente e os jogadores junto com os torcedores mais fanáticos
iam na carroceria. Depois de muito tempo é que fomos pegar ônibus.
Eram fracos e quebravam demais. Fazíamos viagens perigosas e
cansativas sem hora de chegada. Uma vez jogamos contra o Confiança,
quando vencemos por 3 a 1 e voltamos tarde da noite. Enfrentamos uma
estradaque não tinha asfalto e, nesse dia, pegamos um motorista
decidido. A viagem foi feita em duas horas e meia. Tínhamos de
suportar."
"Na minha passagem pelo esporte, sempre mantive um bom relacionamento
com a imprensa esportiva. Todos foram meus amigos. Nunca sofri críticas.
Considero José Eugênio de Jesus o grande expoente da imprensa
esportiva e destaco Carlos Magalhâes e Wellington Elias além
da turma nova como o Roberto Silva e Pingo de Leite." Durval Feitosa
deixou Propriá vindo morar em Aracaju onde continuou a exercer
as suas atividades de dirigente esportivo, atuando como representante
do América junto à Federação Sergipana "Tive
um grande orgulho por ter vencido o Confiança duas vezes e conseguir
o título de campeão do Estado em 1966". O título
do América foi conquistado em quatro jogos e o time tricolor
perdeu um por 2 a 1, em pleno estádio José Neto em Propriá,
empatou outro e ganhou duas por 1 a zero, sendo a do título em
pleno estádio de Aracaju, hoje estádio Lourival Batista.
Com o advento da segunda divisão em 1980, alguns anos depois
o tricolor desceu para a "última divisão"do
futebol sergipano e só retornou em 1993 quando, neste ano, sagrou-se
vice-campeão estadual da divisão de acesso perdendo apenas
uma partida para o Cotinguiba Esporte Clube, o campeão daquele
ano. Em 1994, porém, mesmo com a ajuda do governo do estado através
do projeto gol da sorte, o América voltou à segunda divisão,
numa atuação desastrada de sua diretoria. Em seguida o
América viveu seu pior momento e, com essa mesma diretoria, ficou
fora das disputas de qualquer competição promovida pela
F.S.F. voltando ao amadorismo, perdendo assim, o status de time profissional.
Com ajuda do então recém eleito prefeito Renato Brandão,
que havia deixado um valor à disposição do tricolor
quando ainda era deputado, e uma equipe de transição formada
por ex diretores como o Sr. Gileno Nunes, presidente, e Anselmo Vieira
Ramos. Ambos, contra a vontade da atual diretoria que abandonou o estádio
José Neto, entregando-o aos vândalos e prostitutas, conseguiram
pagar as despesas do clube, recuperar o muro e instalações
do estádio e colocar o time de volta à disputa da segunda
divisão em 1998, graças a ajuda primordial do então
Presidente da F.S.F. José Carivaldo de Souza que atuando junto
à C.B.F., conseguiu reverter a categoria da equipe levando-a
de volta ao profissionalismo. Vale ressaltar o apoio de um dos melhores
presidentes do clube o Sr. Ermínio Cardoso de Souza.
Página virada, o tricolor não mais parou e, mais importante,
evitou que esses dirigentes voltassem a atuar no América. Em
2004, com o Presidente Marcelo Santos Chagas o time voltou à
primeira divisão, novamente com um vice-campeonato, onde nas
finais perdeu em Cristinápolis por dois a zero e venceu em Propriá
pelo mesmo escore, perdendo nos penaltis. Participaram desta memorável
campanha o Sr. Izaías Aragão, ex atleta e empresário
e o então candidato à prefeito Luciano Nascimento que
conseguiu o apoio do Banese. Em 2005, o então eleito Presidente
Izaías se desentendeu com o recèm eleito prefeito Luciano,
e deixou o cargo com apenas um mês de mandato. o tricolor continuou
na competição e fez uma péssima campanha no primeiro
turno onde fez apenas três pontos. Mas, no segunto turno veio
a reação e o time fez mais treze pontos jogando um futebol
pra frente e bonito de se ver conforme comentários da imprensa
sergipana, onde em pleno Batistão fez um dos melhores jogos da
competição contra o C. S. Sergipe, com resultado favorável
ao time da capital por 3 a 2. Entretanto, no dia corpus crhisti, feriado
de quinta feira, aconteceu a tragédia: em jogo suspeito, o América
embalado perde por cinco a um para o já rebaixado Centro Sportivo
Maruinense e, por um ponto, é rebaixado mais uma vez para a Série
A 2 do nosso futebol . Algum tempo depois, torcedores descobriram que
os jogadores "de fora" receberam a visita na casa do atleta
de emissário da equipe interessada o Riachuelo F. C., às
vesperas do jogo decisivo. È importante ressaltar que o América
teve que jogar fora de sua cidade dada às péssimas condições
de seu estádio de futebol. O primeiro turno foi disputado na
cidade de Capela e o segundo na cidade de Gararu, prejudicando sensivelmente
a equipe e seus torcedores.
Ao final do ano, a diretoria tricolor voltou-se à reformulação
do seu estatuto. Tendo à frente o Sr. Anselmo Vieira Ramos, o
Conselho reuniu-se em várias sessões na sociedade União
Beneficente e passou a discutir as mudanças no novo estatuto
impostas pelo estatuto do torcedor. A oposição se animou
e ameçou voltar a dirigir a equipe lançando um candidato
à Presidência do clube. Feitas as devidas modificações,
foi marcada nova eleição de diretoria. No dia da eleição
a oposição não tinha registrado sequer um candidato
ao pleito, enquanto a situação lançava o nome Sr.
José Manoel Nunes Freire à eleição. Numa
manobra ilegal, desmarcaram a eleição avisando ao vice
Presidente da sociedade União Beneficente que a eleição
havia sido adiada, isto no turno matutino, no dia marcado. Mesmo assim,
a eleição foi realizada, começando em frente a
sede da sociedade e terminano na residência do Sr. João
Braga, conselheiro do clube, graças a iniciativa do Presidente
da comissão de reforma do estatuto e Presidente do Conselho Deliberativo
o Sr. Anselmo que obedeceu todos os trâmites legais conforme novo
estatuto. Convidado a participar do pleito como candidato à reeleição,
o então Presidente Marcelo Santos Chagas não aceitou.
Mas, surpreendentemente, entrou com recurso logo após o registro
da chapa única vencedora, no tribunal de justiça da F.
S. F., com o advogado Dr. Joaquim Prado Feitosa, filho do Sr. Durval
Feitosa. Alegavam que a eleição foi irregular. Após
alguns dias os Srs. Anselmo Ramos e Joaquim Feitosa conversaram e marcaram
reunião de sessão extraordinária com a presença
de todos os conselheiros e diretores do tricolor com a finalidade de
resolver o impasse. O Sr. Joaquim convenceu o ex Presidente Marcelo
da legalidade da eleição, por sua vez, o Sr. Anselmo convenceu
o Sr Joaquim a aceitar o cargo de Presidente do Conselho Deliberativo.
Somente ao final da sessão o Sr. Joaquim aceitou a proposta e
o impasse foi resolvido a contento.
Com novo Presidente na diretoria executiva, o Sr. José Manoel
Nunes Freire, e novo Presidente no Conselho Deliberativo, Sr. Joaquim
Prado Feitosa, o América começa o ano de 2006 preocupado
com o novo regulamento dos campeonatos promovidos pela Federação
Sergipana de Futebol, que dentre outras novidades não mais permite
a participação de qualquer equipe fora de sua cidade sede.
Os estádios João Alves Filho, José Neto e Constantino
Tavares passam a ser alvos de críticas da imprensa e da F.S.F.
dada a aproximação de mais um campeonato da série
A 2. Não há outra alternativa, e após várias
reuniões de diretoria e conselho o Sr. Joaquim Prato Feitosa,
juntamente com o Presidente José Manoel, resolvem solicitar do
poder público, no início do ano, a reforma de pelo menos
um dos estádios. Solicitação não atendida,
ambos partem para o diálogo com políticos e ajuda de amigos.
Em maio deste ano, o Sr. Joaquim consegue através de seu irmão
João Feitosa dar início as obras de reforma do Estádio
José Neto. Num desafio de um tamanho incomensurável, inesperado
por parte dos desportistas propriaenses e torcida tricolor, tem início
a tão sonhada reforma do referido estádio. Por obra do
destino, os quatro filhos do Sr. Durval Feitosa - Joaquim Prado Feitosa,
Luiz Carlos Feitosa, João Prado Feitosa e José Prado Feitosa
- ´podem levar o tricolor da ribeirinha de volta a sua cidade
para, mais uma vez, disputar o campeonato sergipano de futebol da série
A 2.
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